Nuvens, Bolhas e a Realidade no Mundo

Nuvens, Bolhas e a Realidade no Mundo

Não peço que os tires do mundo, mas sim que os livres do mal. João 17:15

 

Facebook, Twitter, Instagram. Alguém disse certa vez que as palavras são como bolsos, onde nós vamos enchendo de significados. Imagino que você conheça as três palavras iniciais deste parágrafo, até porque, você e seus amigos utilizam, digamos, bastante estas ferramentas, talvez você conheça alguém que não consiga passar um dia se quer sem estas palavrinhas.

Vivemos num tempo em que a maioria dos jovens e adultos (adolescentes também) possuem um (talvez dois) brinquedo chamado smartphone. Este é um bolso grande, que nos permite fazer muitas coisas, que oferece a possibilidade sem igual de poder falar instantaneamente com diversos amigos nas mais variadas distâncias, além de podermos nos divertir, colher informações e com certeza mais uma infinidade de possibilidades – em outras palavras, conexão.

O problema é que o mundo virtual, por mais que tenha cada vez mais coisas e funções da realidade, não é o mundo, como li recentemente: “no Facebook não chove, nem faz sol. Pelo Skype não passa calor, não dá para sentir os cheiros ou abraçar e sentir o pulso suave do outro. Essas maquininhas [smartphones] nos conectam ao mundo de um jeito mágico – mas elas não são o mundo. Na realidade, elas nos tiram do mundo”1.

Quando leio sobre Jesus nos evangelhos, encontro alguém que lutou contra a fuga da realidade. Ele elogia João Batista, pede que o mesmo o batize, mas o seu movimento caminha na direção oposta da religiosidade do Batista. A santidade de Jesus é intramundana, dentro do mundo. Encontramos Jesus em qualquer lugar: na rua, no mercado, na estrada, no templo, numa festa. Com as pessoas. Com quais pessoas? Quem é o próximo, para Jesus? Todas as pessoas, não importa a posição social, a origem, o gênero, a religiosidade, a saúde, os hábitos sexuais, a região onde moram. O mestre sempre estava com as pessoas, no mundo!

Sim, na oração de João 17, Jesus fala que Ele não é do mundo e que os seus discípulos também não o são, porém, Ele afirma: “Não peço que os tires do mundo, mas sim que os livres do mal” e ainda “assim como tu me enviaste ao mundo, eu também os enviei ao mundo”. Todas as vezes que a igreja, a denominação ou a religião a qual pertencemos cria uma subcultura, construímos uma bolha religiosa, onde temos contato apenas com pessoas da nossa religião, coisas religiosas da nossa ideologia e toda a nossa vida, nas suas mais variadas dimensões, só gira neste meio ou a partir deste meio, caminhamos na direção oposta do mestre de Nazaré.

Te convido a uma oração: “Pai, nos livre da arrogância de nos acharmos superiores às pessoas que convivem conosco no trabalho, na faculdade, no metrô, na vizinhança. Espírito Santo, nos ensina a construirmos uma santidade e uma identidade baseada na preocupação com o próximo. Jesus, caímos facilmente na armadilha da nossa bolha religiosa, mas, lhe pedimos: abra os nossos olhos para vermos as crises, as desgraças, as necessidades daqueles que estão ao nosso redor, capacita-nos para ajudarmos e auxiliarmos, sem sermos intolerantes, arrogantes, invasivos, ostentadores dos segredos sagrados, mas, antes, semelhantes a Ti.  Em teu nome, amém”.

1 As nuvens e as rede, artigo de Denis Russo Burgierman na revista Vida Simples edição 138, novembro de 2013.

 

Allan Reis – Professor do IBK

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