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Estranheza…

Sempre que leio o evangelho tenho uma sensação dúbia. Por um lado uma estranheza, um distanciamento, um gostinho de utopia não realizável. Penso que esta sensação inicial deva ser em virtude da sociedade em que estamos enraizados. Tempo e espaço, este marcado pelo individualismo, ganância desenfreada, por dinheiro e poder que o capitalismo nos ensinou – e aprendemos tão bem – que o consumismo e a busca pelo prazer já encarnaram na identidade.Tempo de incertezas constantes, de relações humanas frágeis, líquidas. Um dia desses uma psicóloga afirmou: “atualmente, a humanidade vivencia um episódio de crise geral sobre a verdade em sua conduta, em suas escolhas […] a condição contemporânea da humanidade, [é] que as pessoas estão estranhas a si mesmas, fechadas no individualismo que impede a promoção coletiva e o desenvolvimento social”*.
Por outro lado, me recordo que o evangelho é atemporal e acultural, ou seja, ao mesmo tempo em que ele serve para qualquer tempo, sociedade e cultura, ele sempre será uma contra-posição, um convite/desafio a construirmos um outro mundo, outras relações com o próximo e primeiramente conosco, dentro da sociedade em que estivermos com as relações que possuímos atualmente. Me permita lhe oferecer um exemplo e uma pergunta.
Certa vez Jesus disse:

“Não se preocupem com suas próprias vidas, quanto ao que comer ou beber; nem com seus próprios corpos, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa? Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas? Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida? Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé? Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘Que vamos comer? ’ ou ‘que vamos beber? ’ ou ‘que vamos vestir? ’, pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas. Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal”.  Mateus 6:25-34

O que este trecho do evangelho significa para você?
Apesar de sufocado pela estranheza, quando leio o evangelho, a esperança se renova dentro de mim.
*Cátia C. L. Rodrigues no artigo Crise de Valores Contemporâneos, na revista Psique ano IX nº 114
Allan Reis – Professor do IBK
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