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As casas Bahia e a graça de Deus

Existem coisas das quais jamais nos esquecemos. Em 2009 o Jornal Estadão noticiou – Samuel Klein dono da rede de lojas Casas Bahia, perdoa dívida de 1,3 milhões de clientes inadimplentes, o perdão corresponde ao montante de R$ 650 milhões! (Estadão 21/09/09)

A primeira coisa que pensei foi – Perdi uma grande oportunidade de ser um destes inadimplentes! Na ocasião eu pagava uma bicicleta, um Ferro de Passar e uma máquina de lavar roupas… foi difícil, mas, eu saldei minha dívida. O Samuel Klein sempre foi um mestre do comércio; restaurou o crédito dos inadimplentes a fim de trazê-los novamente para dentro das Casas Bahia.

Aos dezoito anos comecei a ler a bíblia compulsivamente, também não me esqueço disto; o Novo testamento sempre me deixou intrigado, principalmente em algumas passagens onde Jesus fala com seus discípulos acerca do Reino de Deus.  O capitulo 16. 1-9 do evangelho Lucas me deixa espantado! Como pode alguém que fez o que era “mal” se dar bem?

Lucas 16. 1-9 só pode ser interpretado a luz da graça de Deus. Neste capítulo Jesus conta a história de um administrador infiel que ao ser pego em suas fraudes, percebe-se totalmente enrolado, e para escapar do sofrimento do trabalho penoso, porquanto sua demissão era eminente, ele negocia com os devedores de seu patrão; o que ele fez? Negociou a dívida dos devedores, recebendo aquilo que eles podiam pagar. Jesus disse que o patrão elogiou aquela atitude empreendedora; ou seja, o “infiel” se deu bem com seu patrão; sua criatividade e sagacidade deixou seu senhor mais rico, elevou o potencial de compra dos devedores, e ainda, posso concluir que ele manteve o seu emprego de administrador; uma nova oportunidade lhe foi dada. Parece que o Samuel Klein andou lendo as parábolas de Jesus.

Hoje compreendo porque Jesus exaltou o “administrador infiel”. Pura manifestação da graça, favor imerecido.

O que eu aprendo com isso:

“Bem-aventurado os misericordiosos porque alcançarão misericórdia” – O administrador agiu com misericórdia para com os devedores do seu patrão. Por isso alcançou misericórdia. Jesus sempre é coerente com seus ensinos. Jesus ao nos ensinar a orar disse: “Perdoa as nossas dívidas assim como perdoamos os nossos devedores”; a condição de receber o perdão de Deus é perdoar. Na história que Jesus conta, o perdão do patrão estava condicionado ao perdão do administrador. Perdoe e seja perdoado.

Os devedores não tinham tudo, por isso não davam nada. O administrador sabiamente disse: “De o que você tem”; assim como o Samuel Klein fez em 2009; assim como os bancos fazem negociando as dívidas de seus clientes (quando isto acontece com os crentes, normalmente eles dão testemunho na igreja achando que Deus passou um branquinho na dívida e escreveu um valor menor; Deus não faz isto); Jesus advertiu: “os filhos do mundo são mais hábeis na sua própria geração do que os filhos da luz”. Quem não tem tudo dê tudo o que tem.

Normalmente sonegamos de Deus a nossa vida por não sermos tudo que Ele merece, e quando agimos assim não lhe entregamos nada. Agimos assim com os necessitados também, se não temos tudo para ajudá-los, simplesmente não fazemos nada; se não temos tudo façamos com o pouco que temos.

Na filosofia do administrador infiel a graça consiste em se perceber injusto, e percebendo-se, coloca-se ao mesmo nível dos demais injustos. Quando isto ocorre, nos tornamos generosos, tolerantes, perdoadores; porque fazemos exatamente aquilo que queremos que os “outros nos façam”.

O reino de Deus não é para gente justa, mas, para aqueles que praticam a justiça.

Obrigado Samuel Klein pela aula de administração econômica / teologia – (Em memória).

Obrigado Jesus por sua graça e por suas parábolas.

 

Pr. Claudio Neryz

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